Primeiro a gente pensa:
"Dois mil acessos... Uau."
Depois a gente questiona:
"Dois mil acessos... Quantos terão sido nossos?"
Enfim. Quero agradecer (creio que, em nome do grupo) a todos que ainda entram, e, quem diria, comentam neste humilde sítio.
Muito obrigado. E desculpem pela escassez de posts, mas férias deixa todo mundo moooole...
29/07/2008
2.000 acessos.
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Ricardo
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21/07/2008
Mãos dadas
Quando voltou a olhar pra frente - para logo depois retornar sua atenção aos próprios pés - lembrou-se de quando já fez esse mesmo trajeto tantas outras vezes acompanhado dela, e refletiu sobre o quanto mais feliz a gente fica ao andar de mãos dadas com quem se ama. Infelizmente, essa inútil reflexão que teria o potencial de ocupar uma tarde nos seus pensamentos não durou nem o tempo de alterar o maior dos ponteiros do relógio, pois ao olhar o rosto da menina que formava o casal à sua frente, do outro lado da rua, percebeu que ela era a mesma que há algum tempo atrás formava outro casal com outra pessoa, e que, se ainda não ficou explícito neste conto, essa pessoa a quem nos referimos era o nosso protagonista. Num curto espaço de tempo, pensou em sair correndo, em fingir amarrar os cadarços dos tênis, ou em colocar suas duas semanas no curso de teatro em prática, fingindo não conhecê-la. Ela sorriu ao vê-lo. Ele sorriu de volta. E agora não tinha mais escolha. Quando o sinal fechou para ambos, ele atravessou a rua, acenou e deixou escapar um sorriso. Ela sorriu mais uma vez, mas o puxou pelo braço quando viu que ele tentava escapar daquele reencontro inusitado.
- E aí, guri?
Antônio nitidamente apertou a mão dela com mais força quando o cumprimentou, e por ser mais alto, demonstrava uma inevitável superioridade que deixava nosso personagem principal sem saída, como se fosse possível pensar em alguma naquele instante. Estava de cara fechada, e improvisava um olhar ameaçador que só não fez nosso protagonista esboçar uma risada, pois este já havia voltado a atenção para ela, numa tentativa desesperada de qualquer coisa que o tirasse daquela situação desconcertante:
- Bem... Eu vou indo, não posso chegar tarde em casa.
O sinal abrira novamente. Seguiram seus caminhos, um vindo de onde o outro voltava. Ela, de mãos dadas, ainda sorrindo, olhou para trás para um último aceno, mas ele já não estava mais ali. Não sabia onde estava naquele momento, mas sabia que não era agradável. Seguiu olhando para seus pés, agora mais rápido, pois era o melhor que tinha a fazer de qualquer jeito. Como sempre fazia. A propósito, também se lembrou de como ela não gostava que lhe apertassem a mão com força.
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Ricardo
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29/06/2008
Você e Só
Abstrato e sorrateiro, você sofre. Nunca dante atravessado caminho mais longo do que aquele que o leva a si próprio. Não era mais o mundano e o óbvio que o cercavam de um mim cada vez mais distante. Na companhia somente e unicamente de seus pesares, você se vê por fora e envolvido em uma dura capa de cristal; quebrado, trincado, como você já não nega mais o ser também. Seu sexo se desfez e você definitivamente perdeu o rumo de uma cama acalorada balançando-se em uma tentativa irrisória de intimidade consigo mesmo. Você se desligou de sua lúcida resposta a pensamentos corrosivos e diluentes. Não veste-se mais para ninguém. Você já não se importa em cariar os dentes ou cortar os cabelos. Na vida, há momentos em que é preciso parar, mas você não sabe ainda disso, talvez demore para chegar lá. Você sempre quer chegar lá. Ainda não sabe que uma hora é preciso parar. Quem sabe quem pode levar-te em união eterna para qualquer lugar? Você cansa. Só de pensar.
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cintilante
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23/06/2008
16/06/2008
Contos Múltiplos III - Final 1
- Eu tenho medo de ficar cego.
- Eu também.
- Não, eu falo sério.
- Você não tem motivos pra isso.
- Pra falar sério? Escuta aqui Luísa, quantas vezes eu já te disse...
- Não tem motivos pra ficar cego, Alan. Quantas vezes EU já te disse pra escutar o que eu
falo até o final? Depois você fica aí, chorando a...
- Ta, ta, chega. É só que eu tenho medo de ficar cego.
- Mas você não tem motivos para isso!
- E que motivos teria eu pra te contar sempre a verdade?
- Não é essa a questão, Alan. O problema é que...
- O problema é que você nunca deu importância pros meus problemas, Luísa.
- Então me conta, de onde surgiu essa idéia de ficar cego?
- Não é de ficar cego, é de ter medo de ficar cego.
- Eu tenho medo de ficar grávida.
- Não desvirtua, Luísa!
- Não, eu falo sério.
- Você não tem motivos pra isso.
- ...Pensando bem, é verdade. Não tenho motivos pra isso.
- ...
- ...
- Você está grávida, Luísa?
- E você está cego, Alan.
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Ricardo
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